O São Paulo volta a campo nesta quinta-feira pela Libertadores. Do outro lado, um velho conhecido e peça-chave para a última conquista tricolor da América, há 15 anos.

Em 2005, a equipe de Paulo Autuori encarou o River Plate nas semifinais. Donos da melhor campanha da fase de grupos, com cinco vitórias e um empate, os argentinos tinham o direito de decidir a classificação em Bueno Aires e visitaram o Morumbi pelo jogo de ida.

Com 61.078 torcedores nas arquibancadas, o São Paulo se impôs dentro de casa e venceu por 2 a 0, com gols de Danilo e Rogério Ceni, ambos no segundo tempo.

“A gente sabia que o River tinha um grande time e que precisávamos conseguir uma boa vitória dentro de casa para termos um jogo mais tranquilo fora. Fizemos um bom resultado, 2 a 0, muito difícil de ser revertido”, relembrou Luizão à Gazeta Esportiva.

“A rivalidade era muito grande. A gente sabe que River, Boca são times de tradição na Libertadores. Tem camisa, peso, é difícil ganhar deles; pela catimba e pelo time bom também que eles tinham. Mas nosso time também estava preparado. Acho que a vitória aqui foi fundamental”, disse Danilo à Gazeta Esportiva.

(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Pressão até o gol
O Tricolor carregava um retrospecto negativo contra o rival argentino. Em oito jogos até então, o River tinha vencido quatro, além de três empates e apenas um triunfo tricolor – duelo pela Sul-Americana de 2003, que terminou com o São Paulo eliminado nos pênaltis.

“Foi a volta da minha dupla com o Amoroso, o que motivou muito nós dois. Fizemos um grande jogo e conseguimos levar uma grande vantagem para o segundo jogo”, contou Luizão.

De fato, a semifinal marcou a estreia de Amoroso pelo clube. Contratado no meio da competição, o reforço ganhou a camisa 9 e espaço na equipe titular. Foi dos pés da novidade que o Tricolor chegou com perigo pela primeira vez, aos 35 minutos em arrancada individual do atacante.

(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

O lance foi o único de destaque no primeiro tempo. Para a etapa final, Autuori colocou Souza no lugar de Renan e jogou o time para frente. Antes que a alteração surtisse efeito, Lugano roubou a cena atrás, com carrinho que levantou Salas e rendeu cartão amarelo ao uruguaio.

“A gente esperava um jogo muito difícil e foi muito difícil. Logo no início do segundo tempo o Lugano deu um carrinho e também já mostrou como ia ser o jogo”, relembrou Alex, zagueiro que formou trio com o camisa 5 e Fabão.

“Foi o melhor trio defensivo que joguei. Os dois eram jogadores de mais força e eu era de mais técnica, então para mim era muito bom. Eles cobravam muito, principalmente o Lugano e o Rogério, o Rogério nem se fala, um líder nato”, contou Alex.

(Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press)

Vitória de campeão
Mas não foi nem Amoroso, nem Lugano que mudou o cenário do jogo aos 30 minutos. Se não estava fácil entrar na área do River, Danilo começou a bater de fora. Na primeira, rebote do goleiro Constanzo, aproveitado por Souza que carimbou a trave.

Na segunda, só dois toques na bola – um para dominar rebote de escanteio aos 31 minutos e o outro para bater cruzado com a perna esquerda. A bola passou pela defesa e morreu no canto direito.

“Se eu não me engano tinha já quase 30 minutos do 2º tempo e estava 0 a 0 o jogo, se a gente leva 0 a 0 para lá, sabia que ia ser difícil segurar eles. Então fui feliz no primeiro gol. Foi um passo muito importante para a classificação”, contou o meia.

(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

O gol de Danilo deu mais ânimo para o São Paulo, que seguiu pressionando e conseguiu pênaltis nos minutos finais, após Lucho González cortar cruzamento com o braço. Rogério Ceni foi para a cobrança e deu números finais à partida.

Caminho aberto para o título
Com o 2 a 0 na conta, o São Paulo abriu o caminho para o tricampeonato da Libertadores. A vantagem ajudou o Tricolor a jogar a volta, no Monumental de Núñez, e vencer por 3 a 2.

“Lá, logo no início, eles iam pressionar desde o começo e eu fiz um gol de cabeça rápido, então deixou ainda mais difícil; e querendo ou não deram uma desanimada e o jogo ficou fácil para nós, tanto que ganhamos também”, relembrou Danilo.

“Pressão todo mundo sabia, mas nosso time era experiente também. Vários jogadores já tinham jogado a Libertadores, acho que a pressão mesmo era de um resultado, de passar”, seguiu.

(Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press)

Eliminando o River, o São Paulo também eliminou o principal candidato ao título, com meio-campo estrelado formado por Lucho González, Mascherano, Zapata e Gallardo – atual treinador; e a dupla de ataque Salas e Farías.

“Eu já tinha eliminado o River duas vezes, pelo Vasco e pelo Grêmio. Sabia que não era um bicho de sete cabeças. É um time que você tem que respeitar, mas que dá para jogar de igual para igual. A Libertadores é uma competição em que você tem que errar o mínimo possível. Com um erro, você acaba ficando fora”, ponderou Luizão.

Sem o adversário mais temido, o time de Autuori seguiu para bater o Athletico-PR na decisão, com empate por 1 a 1 no jogo de ida no Beira-Rio e goleada por 4 a 0 no Morumbi para sacramentar o tricampeonato.

Ponto de virada
Se antes do duelo o São Paulo levava a pior no retrospecto do confronto, com uma vitória, três empates e quatro derrotas, o cenário mudou radicalmente a partir do duelo no Morumbi.

Desde então, foram cinco encontros entre as equipes, com três vitórias são-paulinas e dois empates – contando duelo pela Copa Flórida em 2017. Na Libertadores, o último encontro foi a vitória por 2 a 1, no Morumbi, pela 5ª rodada da fase de grupos de 2016.

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